RedeGN - Artigo - Não vá ao Rodeadouro

Artigo - Não vá ao Rodeadouro

Depois de anos e anos, ontem fui à Ilha do Rodeadouro.  Ninguém vai ouvir mesmo minha opinião (muito menos segui-la), mas mesmo assim ei-la: a ninguém aconselho este passeio.

As barracas, que eu não conhecia, estão sujas, mal cuidadas e os sacos com areia para contenção das águas rasgados, imundos. Não sei como foram projetadas as barracas e quem pagou (deve ter sido eu e você, caro contribuinte), mas duvido muito que fosse aquilo ali o resultado esperado.

Gosto de gente, da mistura. Gosto de som, música e, apesar do meu gosto musical “atrasado”, nada tenho contra os (as) fanhosos (as) cantores (as) dos forrós de plástico... tipo estes que cantam que vão brincar de nuvem... lindo! ou do Doblô... Mas, convenhamos, cinco músicas deste tipo tocando ao mesmo tempo e você só entende porque  como todas não tem mais que três notas, a mistura ainda faz sentido:

Olhou, pirou, entrou na minha Doblô,  Vamo brincar de nuvem, eu fico nú e você vem , Vou preparar o jantar vou abrir o vinho, Na minha Doblô eu boto é sete mina, Vou te dar amor de sobremesa, Vamo brincar de nuvem, eu fico nú e você vem, Não fique ai pensando que é carro de beijos, te fazer carinho família, Vou te encher, Eu fico nú e você vem, aiaiai aiaiai eu fico nú e você vem e aí por diante... Maravilhoso! Pra quem tem o cérebro capaz de absorver tanta poesia ao mesmo tempo. Eu? Tô fora.

Não para por aí: A cerveja quase gelada. O problema é o quase. As batatinhas murchas como a cara das garçonetes ou a boa vontade dos garçons (Nada contra caras murchas, viu?).

Pirei no peixe... Caro e muito, mas muito ruim mesmo... Se assado você come com gosto de carvão, se frito você come com gosto do óleo da semana passada e, para completar, mal temperado (ou salgado demais ou sem sal), pegajoso e isso serve para o dourado, para o tambaqui ou a pescada. Imagine os outros, se houver. Piranha, nem pensar...

Tem quantos barcos fazendo a travessia? Vi um e meio...

E cuidado como fala com o pessoal do embarque...

Ah, dirão que não estive em todas as barracas, que escolhi a pior e visitei as que menos se cuidam e, por extensão, cuidam pouco de quem lhe dá (imerecidamente, frise-se), lucro. Pode até ser, mas a amostra foi péssima e desconte-se que fui convencido pela propaganda extremamente criativa. Tão criativa que resolvi juntar uma foto. 

Não, não é gozação; não, não estou querendo fazer pouco e nem zombar da ignorância comum a nós todos, armados até os dentes para defender as maravilhas de nossas ilhas e a cultura local. Só fazer o registro e registrado está.

Manoel Leão- Jornalista