O Ministério Público do Estado da Bahia vem a público externar a sua preocupação com os efeitos negativos que a decisão liminar proferida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, pode ocasionar ao trabalho da Instituição nas esferas criminal e de combate à improbidade administrativa em todo o país. O ministro determinou a suspensão de todos os inquéritos e procedimentos de investigação criminal (PICs), em trâmite no território nacional, instaurados pelos Ministérios Públicos Federal e estaduais sem autorização judicial sobre os dados compartilhados pelos órgãos de fiscalização e controle (COAF, Fisco e BACEN), que vão além da identificação dos titulares das operações bancárias e dos montantes globais.
A decisão do ministro impacta todas as investigações iniciadas pelo Ministério Público com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e, caso os demais ministros sigam o entendimento do presidente do STF e decidam que o compartilhamento de dados entre as instituições de fiscalização e controle é inconstitucional, todos os processos que utilizaram tais dados poderão ser anulados.
Ao longo dos últimos anos, as informações encaminhadas pelo COAF foram indispensáveis para que o Ministério Público pudesse dar início a importantes investigações, que resultaram em operações, denúncias e ações de combate à atuação de organizações criminosas, à lavagem de dinheiro oriundo de diversos crimes e à corrupção. Os alertas enviados pelo COAF sobre movimentações financeiras e saques suspeitos também permitiram à Instituição solicitar a quebra de sigilo bancário de integrantes de diversas quadrilhas e adotar medidas para asfixiar recursos utilizados por elas para financiar o tráfico de drogas e vários outros crimes. O “sufocamento” financeiro destes grupos criminosos é, no entendimento do Ministério Público e de diversos atores, medida indispensável no combate à criminalidade.
A decisão do ministro Dias Toffoli impede que importantes investigações já em curso tenham continuidade e, caso seja mantida, pode resultar não somente em impunidade, pois dificultará o acesso a informações sobre pessoas envolvidas em operações ilegais, como também pode ocasionar o fortalecimento de diversos grupos criminosos que atuam no país, pois tornará mais difícil chegar até eles.
Por tais razões, o Ministério Público do Estado da Bahia espera e confia que o presidente da Suprema Corte reavalie a sua decisão, de modo a não dificultar o trabalho de procuradores e promotores de Justiça comprometidos diuturnamente com o combate ao crime e com a defesa da sociedade brasileira.
Salvador, 18 de julho de 2019.
Assessoria de Imprensa
Ministério Público do Estado da Bahia
(Confira notícia e entrevista sobre o assunto na Rádio MP da Bahia)
Cecom/MP
1 comentário
19 de Jul / 2019 às 03h14
Todo o engodo do tal "combate à corrupção" da operação lava a jato, se resume em enganar o povo brasileiro para tirar o PT do poder e prender o ex-presidente Lula. É tudo políticagem (com golpismo). O caso do político de Petrolina, que hoje é inclusive líder do governo é exemplar. O FBC emitiu uma nota elogiando (vejam só elogiando) a decisão do ministro Dias Toffoli. Obviamente isso beneficia ele. O país é uma vergonha. E a imprensa de Petrolina? Tudo nas mãos dos políticos comendo o prato de feijão, arroz e farinha, calados. E arregalhando-se os sorrisos nas redes sociais. Deus proteja-nos.