"Esgoto a céu aberto em Juazeiro e Petrolina": um problema que aflige população em pleno século 21

"Inacreditável. Estamos vivendo na avenida Cristalina no meio da merda... Juazeiro está em quase todos os bairros com esgoto correndo a céu aberto em vários bairros. Pagamos caro as contas de agua e esgoto para não termos sequer o mínimo de dignidade. Os mais pobres estão sofrendo. Socorro autoridades".

Esses são alguns das centenas de comentários sobre a situação dos moradores de Juazeiro que estão vivendo em suas portas e calçadas com "esgotos correndo a céu aberto". O problema dos esgotos estourados não se resume as inúmeras denúncias dos meses de novembro e dezembro. Em janeiro de 2024, a REDEGN denunciava através de reportagem que Moradores reclamam de fezes, canal de esgoto a céu aberto no bairro Jardim Vitória.

A REDEGN publicou dados que mostram o imenso abismo vivido pelos municípios brasileiros: a falta de saneamento-Veja Aqui. A falta de saneamento básico adequado gerou mais de 340 mil internações e nada menos que 11.500 mortes no Brasil, em 2024. Os dados são da pesquisa “Saneamento é saúde”, divulgada pelo Instituto Trata Brasil.

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A presidente-executiva do Instituto, Luana Pretto, destaca que a universalização do saneamento básico no país reduziria em mais de 86 mil o número de internações por doenças como dengue, hepatite, malária e leptospirose.

Apesar de não ser a única causa, essas doenças estão relacionadas à falta de serviços, como abastecimento de água tratada, coleta de esgoto e lixo, limpeza urbana e destinação adequada do lixo. Isso porque, essas doenças são resultado da infecção por bactérias, picada de insetos,  transmitidos para outras pessoas pelo consumo de água não tratada e alimentos contaminados.

A REDEGN no ano de 2022 destacou reportagem Veja Aqui-Em pleno século XXI moradores de Juazeiro e Petrolina ainda vivem em bairros sem saneamento básico.

A reportagem bateu à porta de dezenas de casas em Juazeiro e Petrolina, localidades que em pleno século 21, ainda é possível encontrar pessoas privadas de saneamento básico, falta água encanada e o esgoto corre a céu aberto. Serviço absolutamente essencial, a coleta e o tratamento de esgoto têm sido deixados de lado por sucessivos governos.

Estudos feitos pelo Comitê Hidrográfico da Bacia do São Francisco apontam dois problemas que refletem diretamente na saúde do Velho Chico: a perda de água potável e a falta de saneamento básico. De acordo com pesquisadores, ao distribuir água para consumo humano, há uma perda de 40% de água potável do rio, o que corresponde a 7,5 mil piscinas olímpicas de água potável perdidas todos dias, quantidade suficiente para abastecer 63 milhões de brasileiros em um ano.

A REDEGN visitou a página do Painel Saneamento Brasil. Confira alguns dados:

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE JUAZEIRO (BA):
89,3% da população é atendida com abastecimento de água, frente a média de 79,71% do estado e 84,24% do país;
25.445 habitantes não têm acesso à água.
84,45% da população é atendida com esgotamento sanitário, frente a média de 41,2% do estado e 55,5% do país;
O esgoto de 36.992 habitantes não é coletado.
93,77% da população é atendida com coleta de Resíduos Domiciliares e possui coleta seletiva de Resíduos Sólidos, e recupera 0,4% do total de resíduos coletados no município;
 O lixo de 13.893 habitantes não é recolhido.
2,12% da população é atendida com Drenagem de Águas Pluviais, frente a média de 16,43% do estado e 26,8% do país;
0,2% dos domicílios do município estão sujeitos à inundação; O município não tem mapeamento de áreas de risco; e não existem sistemas de alerta para riscos hidrológicos.
Possui política municipal de saneamento;
Possui plano municipal de saneamento;
Não possui conselho municipal de saneamento;
Não possui fundo municipal de saneamento.

A REDEGN solicitou informações ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Juazeiro (SAAE)sobre ações e planejamento para acelerar o saneamento da cidade e aguarda resposta.

redegn Foto arquivo REDEGN