Ficar um segundo sem o aparelho celular? Nem pensar. Cê é louco não compensa. É o que acontece com a abstinência digital. Estar online é a maior preocupação dos seres humanos.
Não tem idade e nem gênero. Bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos são fortemente atraídos por dispositivos eletrônicos. Essa obsessão compromete as relações dos indivíduos e a saúde mental.
Diante desse quadro, percebe-se a necessidade urgente de compreender holisticamente as causas e consequências dessa dependência irracional.
Na ausência da razão, em busca de entretenimentos, novidades, notificações, atualizações, informações e ilusões, os seres humanos estão ansiosos e esqueceram do verdadeiro valor da vida e das pessoas. Conscientes ou não, as pessoas estão ignorando umas às outras. Não tem mais aqueles olhos nos olhos. Agora, os olhos estão presos na tela, na palma da mão, por 24h.
Quem aguenta esse tédio? Se seu celular não tivesse conectado à internet, você ficaria a cada segundo olhando para a tela? E hoje, com os dados móveis ou fixos, a dependência ficou mais forte e doentia. Será que estamos preparados para usar a internet de maneira saudável? O que é um aparelho celular, para que serve e como funciona esse dispositivo? Você se lembra do celular, popularmente chamado de ‘tijolão’? Já possuiu um?
Não importava se essa relíquia fosse grande e pesada. O importante era a sua emocionante utilidade inovadora. Ligávamos para os nossos familiares, amigos, colegas, empregos e também amores espalhados pelo Brasil. Parece que foi ontem que vivi esse curto tempo. Ter um aparelho celular era coisa de granfino. Imagine o charme daquele tijolão na cintura a representar status.
Nessa reminiscência, vale lembrar também da era dos orelhões. Recordo-me que o surgimento do orelhão foi um verdadeiro espanto. Filas enormes para fazermos aquela ligação tão aguardada. Inicialmente, usávamos fichas com créditos e, posteriormente, passamos a usar os charmosos cartões telefônicos. Os tempos mudaram, e você hoje possui um aparelho celular em seu lar.
Você se lembra do seu primeiro celular digital? O primeiro a gente jamais esquece. Uns compram os mais chiques e outros os mais simples. O que importa é que, verdadeiramente, tenha acesso aos aplicativos da vida e nunca falte conectividade com a rede online. Parte dos usuários fazem bom uso dessas interações quando investem para o progresso pessoal e coletivo. Entretanto, na realidade, há uma grande dispersão causada pelo mau uso de dispositivos.
O celular tem unido muitas pessoas, porém separado milhares. Não é difícil encontrarmos pessoas viciadas a nossa volta. Pode ser qualquer um de nós. Não tem grande e nem pequeno. E agora como descobrir se estou viciado em celular? Quando acordo, meu primeiro contato é com o celular conectado à rede? Não são todos que assumem o vício.
- Boa tarde senhor Lito. Tudo bem com você ilustre?
- Está tudo tinindo de bom. E você Tânia?
- Estou aqui no meu zapzap se você quiser falar comigo fale por lá viu?
- Como assim, Tânia? Por que não aproveitamos e conversamos aqui mesmo pessoalmente?
- Não, não e não. Sou uma mulher conectada com o mundo e não quero retroceder ao mundo offline. Lá em casa eu e minha família nos falamos somente pela internet. Não é um máximo senhor Lito?
- Eu acho isso um absurdo, Tânia. Quem já viu preferi contato virtual do que face a face. Tá bom só tenho pena é do meu pobre coração que ainda te ama. Mas tudo bem. Vai passar esse sentimento de paixão que tenho por você. Adeus, ingrata, Tânia meu grande amor. Sem você eu confesso que nada sou!
Acredito que você já percebeu o quanto estamos confinados em nossos aparelhos no dia a dia. Passe na Orla de Juazeiro/Petrolina ou em outros lugares, e verá que a maioria das pessoas está envolvida com suas telas. Não importa os lugares e nem os indivíduos: motoristas ao volante, consultórios, guia-turístico, casais, colegas, reuniões de trabalho, acampamentos e sala de aula - é notório o uso desmoderado desses dispositivos.
Embora, para educação, o uso de tecnologias seja fundamental no processo ensino-aprendizagem, em 2025, o desafio será de cumprir a Lei 15.100/25, que regula o uso de aparelhos eletrônicos por estudantes no ensino básico. Essa lei proíbe o uso desses dispositivos durante aulas, recreios e intervalos, exceto para fins pedagógicos ou emergências.
Os aspectos positivos do uso do celular em sala de aula são inerentes à possibilidade de auxiliar o estudante na realização de uma pesquisa em base de dados online, fazer uma colaboração em trabalhos que estão compartilhados em rede, ser capaz de mensurar os conhecimentos adquiridos através de plataformas disponibilizadas em qualquer lugar da Terra.
Quais são os principais objetivos pedagógicos das escolas brasileiras? As instituições de ensino têm papel primordial no desenvolvimento cognitivo dos indivíduos, na educação cidadã dos estudantes e no apoio sociopsicobiofísico.
Além dessas valiosas contribuições, a escola tem a missão de promover a inclusão, tendo cuidado na acessibilidade, preparação para o futuro e entendimento das tecnologias. Sem esquecer-se de fomentar a autonomia do ser humano, a valorização das culturas, das artes, a sustentabilidade, a consciência ambiental e a tríade da integração entre escola, família e comunidade.
Por outro lado, como nem tudo são flores, essa tríade é convidada a refletir sobre o uso desinteligente de dispositivos eletrônicos, que pode resultar em sérios prejuízos ao corpo discente e docente. Isso pode desequilibrar o aprendizado, a disciplina e o bem-estar dos estudantes, além de afetar o ambiente escolar como um todo.
É importante lembrar que esses acontecimentos não só acontecem no meio escolar. A sociedade é o maior reflexo desse vezo humano. Isso falamos de A a Z. Pessoas alfabetizadas ou semialfabetizadas estão vulneráveis ao vício. A febre ficou tão crítica que agora temos centro de recuperação para dependentes de celulares. Temos até um nome para isso: monofobia, que é o medo ou o pânico de ficar longe do próprio celular.
- Bom dia, Sheila tudo bem? Bom dia, dona Francisca como vai a senhora? Ninguém vai responder? Eu daria uma boa grana para saber o que esse povo olha tanto nesses celulares... Bom mesmo é no interior de Juazeiro da Bahia que as pessoas dão atenção plena pra gente. Será?
- Boa tarde, conterrâneos de Maniçoba! Tudo bem, dona Socorro Bezerra? E aí seu Israel Moraes como vai tudo tranquilo? Maria? Pedro? Sabino? Lupi? Misericórdia até o cão Lupi está entretido assistindo coisas de cachorro no celular? O mundo tá perdido mesmo viu...
Com essa função apelativa irresistível e sofisticada, será que nas telas desses dispositivos têm algum item viciante? Não é difícil duvidar. Percebemos que muitas pessoas que demoraram a aderir o uso de celulares digitais, com o avanço tecnológico, foram obrigadas a mudar de opinião.
Tudo isso contribui para melhorar as rotinas burocráticas do sistema globalizado. O propósito aqui não é desprezar o uso das tecnologias. Elas têm os seus valores. A chegada da internet foi o divisor de águas para a humanidade. Hoje, parece mágica a forma como resolvemos muitas demandas da nossa vida através da rede mundial de computadores. Somos poupados da espera cansativa das filas intermináveis dos estabelecimentos físicos.
Benefícios à parte, vale filosofar no que a ciência diz em relação ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos? Primeiramente, não custa dizer, que a forte atração das pessoas por recompensas psicológicas as leva a sentirem crises de abstinência, dificultando as relações ecológicas harmônicas entre os seres humanos.
Sobre essa relação, Lin e colaboradores (2020) concluíram que “o uso excessivo de smartphones não é apenas um hábito, mas um comportamento que pode se assemelhar a um vício, com consequências significativas para a saúde mental das pessoas”.
- Querida Lindalva, por obséquio, faça alguma coisa para o nosso filho parar de chorar. Já fiz de tudo. Cantei várias cantigas de crianças, porém está mais fácil eu dormir do que ele.
- Oi vida, já estou indo. Estou terminando de fazer o mingau dele. Eu sei como calá-lo já, já. Por gentileza amor, pegue meu celular e coloque na galinha pintadinha. É tiro e queda.
- Cadê tu Lindalva? Por que tanta demora my love? Já fez o mingau querida? Lindalva?
- Desculpa vida. Acabei ficando entretida com uns vídeos do tik tok e o mingau queimou e estou fazendo outro. Não se preocupe é um segundo para eu fazer isso.
- Espero que sim querida.
A conexão com a rede é uma forma de válvula de escape da pressão social, da ansiedade e do medo de ser abandonado. Essas afirmações são sustentadas por um estudo de Elhai e colaboradores (2016) publicado na revista Computers in Human Behavior. Seja por motivos nobres ou não o uso em excesso de aparelho celular é inviável para quem quer conquistar amigos.
Quem quer ficar perto de alguém indiferente? Você acha bonito ser feio? Porque já disseram que dois ausentes não assam milho. Ou preferimos justificar que estamos resolvendo um assunto importante e, assim, nos desligamos das pessoas que estão a nossa volta? É por isso que não é bom ser só ou estar só. Solidão é diferente de solitude. Escolha a sua melhor companhia e cuide dela. Que seja recíproco essa atenção.
Wang e pesquisadores (2020) concluíram que “a dependência de celular também afeta os relacionamentos interpessoais e a qualidade de vida”. Isso é muito simples de escrever, porém ficar distante do aparelho são os mais quinhentos.
Enquanto escrevo esse texto, querida amiga e querido amigo, lembrei-me das sábias palavras do meu saudoso avô, Laurenço Balbino: “Vamos ser atenciosos com as pessoas, porque a gente quer ser uma coisona na vida, mas, na verdade, a gente não é de nadinha diante do poder de Deus”.
É por isso que honrar o próximo é honrar a si mesmo. Isso retoma a terceira lei de Newton, princípio da ação e reação. Parafraseando essa expressão científica, podemos inferir que somos responsáveis pelas nossas atitudes. Essa responsabilidade traz lucidez e profunda reflexão no que diz respeito as nossas virtudes e os vícios.
Portanto, queridas amigas e queridos amigos, esse texto não é para vos afrontar. Ele é para uma reflexão profundo sobre a nossa saúde e a da nossa família. Lembrem-se: que a vida é curta demais para ficarmos tanto tempo nessas telas improdutivas.
“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.33).
(Obs: esse texto não foi retirado da inteligência artificial)
Professor Josiel Bezerra
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