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ESPAÇO DO LEITOR: FERROVIA TRANSNORDESTINA - ONDE SERÁ RENTÁVEL?

13 de Aug / 2011 às 21h00 | Espaço do Leitor

Há quem diga ser a construção da ferrovia Transnordestina resposta a uma demanda da multinacional BUNGE ALIMENTOS, que está instalando um grande complexo agro-industrial no Piauí, mais precisamente no município de Uruçuí, que beneficiará  a soja produzindo óleo refinado, gorduras vegetais e rações  para animais. Como justificar vultosos investimentos, se a soja produzida no Piauí e Maranhão  de há muito é escoada através dos canais já existentes? Analisemos: Portos do Norte e Nordeste já respondem por 10% da produção desta leguminosa. São os seguintes os portos escoadores :  Região Norte – Itacotiara, no Amazonas e Santarém no Pará. No Nordeste - Complexo Portuário de S. Luís do Maranhão que, além de escoar soja do sul do estado, do norte do Tocantins, pequena safra do Pará, parte da soja produzida na Bahia e de Mato Grosso em torno de 75 mil toneladas, exporta ferro de Carajás. Segundo o Cepea(Centro de Pesquisa Avançado de Economia Aplicada), existe uma tendência de se aumentar o escoamento desta oleaginosa, através dos portos do Norte e Nordeste, uma vez ser notório o esgotamento da infraestrutura do Sul/Sudeste, alem do limite do calado nos portos das referidas regiões.

Além destes portos são também utilizados o Pecém no Ceará, e o acanhado porto Luís Correa, no Piauí - escoadores de parte da soja do Maranhão e do Piauí.

Já a produção de grãos do oeste baiano é embarcada  em grandes proporções no porto de Ilhéus, que já é graneleiro. Vale lembrar que a ferrovia Leste/Oeste encontra-se com projeto adiantado e que além dos grãos da região de Barreiras, transportará minérios da Chapada Diamantina até o porto de Ilhéus. 

Pelo acima exposto, como justificar a Transnordestina, cujos investimentos serão elevados, presumindo-se que transportará parte da soja do Piauí e do Maranhão - o que ocorrerá apenas  em alguns meses do ano, pergunta-se:  o que  será transportado por ela  no restante do ano? Os produtos da BUNGE?

Citar o transporte de Gipsita não vale, pois na época do trem Salgueiro/Recife, o grosso da produção do gesso era escoado via Juazeiro, daqui até a Pirapora pela hidrovia e outra parte pela ferrovia aos centros consumidores.

Vale salientar que o maior calado dos portos brasileiros é o de Suape, único porto com condições de receber os gigantes navios graneleiros que entrarão em atividade em pouco tempo. Será este o motivo principal da Transnordestina? Pensar no transporte de frutas por ela não é racional, vez que as mesmas são transportadas em containeres, saindo direto das fazendas aos navios, lembrando que   o porto que mais escoa frutas é o Pecém com estrutura adequada. E o que dizer do ramal Parnamirim/Petrolina? Será apenas uma promessa política, Sra. Presidenta? O que transportará este ramal? Como conquista política é valida, mas será rentável para investidores do ramo ferroviário?

Quem viver verá...

Malan Calazans

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