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É TENDÊNCIA MUNDIAL

27 de Jul / 2011 às 23h20 | Espaço do Leitor

A descentralização e a interiorização de capitais e investimentos são sem sombra de dúvida, uma tendência mundial. E como fato e tendência tão abrangente que é, vem atingindo várias cidades do nosso planeta que tem propensão de crescimento. O mercado consumidor, a disponibilidade de mão de obra, a especulação imobiliária, a infra-estrutura, a matéria-prima, a isenção fiscal, entre outros; são fatores que influenciam na dispersão de investimos em escala global, nacional, regional e local.

Diante os avanços verificados nos setores de transporte, comunicação e de informatização, as condições necessárias para a integração de regiões foi favorecida; propiciando assim, a concretização dessa tendência.

Analisando o atual momento porque passa a cidade de Juazeiro na Bahia, onde são anunciados diversos empreendimentos, quero fazer as seguintes considerações: Concordo com o Sr. Carlos Neiva, quando, em algumas entrevistas, explicou que nem um investimento é atraído para a cidade devido a cor dos olhos do prefeito ou do secretário. Até porque, os investidores são capitalistas e o capitalismo visa essencialmente o lucro, logo, independentemente de quem seja o gestor, a nossa cidade vem demonstrando que atende a pelo menos boa parte dos requisitos exigidos por essa nova tendência.  Vivenciamos um momento de fortalecimento econômico que, a meu ver, iniciou sua arrancada atual com a implantação da UNIVASF e a execução do projeto Salitre, em vista disso, a inclinação é de que o nosso crescimento seja inevitável. Assim sendo, faz-se necessário a efetiva participação da população no acompanhamento das principais decisões da nossa cidade, evitando prevalecer às intenções ocultas e impedir a segregação espacial urbana.

Não ha hesitação em afirmar que, o nosso município é um centro regional que influencia diversas cidades no seu entorno, apresentando uma população rotativa bastante elevada. Esse fato é comprovado nas colocações de um dos investidores do Shopping, ao afirmar a “intenção de alcançar 1 milhão de consumidores numa área de abrangência formada por quatorze cidades”. Sendo assim, a cidade de Juazeiro é detentora de um vasto mercado consumidor.  No que diz respeito a nossa mão de obra, o número de jovens disponíveis para o mercado de trabalho é bastante expressivo, sem falar que, o custo dessa mão de obra é bem inferior aos praticados nos grandes centros. Tomando como base as especulações imobiliárias pode-se afirmar que os nossos espaços urbanos exibem preços menores em relação às cidades que apresentam maiores diversidades de funções.

Embora a cidade exiba fragilidade na alocação de infra-estrutura, e isso não é demérito para a atual gestão, uma vez que, não se pode imputar a ela a responsabilidade desta carência. Porém, fica evidente que, Juazeiro detém os outros atrativos. No entanto, devemos contribuir para dotar a nossa cidade de uma infra-estrutura adequada, a fim de que, possamos propiciar uma melhor qualidade de vida para a nossa população e nos tornamos mais receptivos aos novos investimentos.

O sentimento de afetividade e amor por parte do nosso povo é muito grande, desde o juazeirense mais abastecido economicamente ao mais desprovido financeiramente, verificou-se um grande contentamento com o lançamento da pedra fundamental para a construção do Juá Shopping, por sabermos que o Shopping é um espaço de consumo e de lazer, mas também, de segregação social, uma vez que, as camadas mais pobres da população freqüentam muito pouco, ou não freqüentam esse espaço de consumo. Mesmo assim, a alegria contagiou a todas as classes.

Quero deixar claro que eu não me oponho aos investimentos atraídos por nossa cidade, nem pretendo desconsiderar o esforço e empenho do poder público municipal na adoção de medidas que visem favorecer a concretização desses empreendimentos, reconheço a importância e necessidade dessas ações no fortalecimento do crescimento econômico. Entretanto, esse crescimento econômico deve vir acompanhado do crescimento social, visando modificar as condições em que vive a maior parte da nossa população. Dotando as áreas informais, carentes de serviços e infra-estrutura, de melhorias capazes de proporcionar qualidade de vida.

É válido ressaltar que um núcleo urbano, onde não se exerce a prática de aliar o crescimento econômico ao crescimento social está fadado a produzir e “materializar a marginalização, as desigualdades e exclusão social”. Dessa maneira, quero finalizar relatando que essa visão (avaliação) é resultante do meu contexto profissional que certamente difere da leitura feita por um empresário ou gestor, no entanto, o olhar geográfico me conduziu a essa conclusão. Deixo aqui a minha contribuição e espero que os leitores percebam a necessidade de interpretar os acontecimentos com criticidade, resultando assim, na apropriação do conhecimento. Reflita sobre isso.

Prof. Sérgio Rêgo - Graduado e Pós-Graduado em Geografia e Especialista em Capacitação Pedagógica.

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