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Artigo - Os riscos da automedicação na pandemia

19 de Aug / 2021 às 23h00 | Espaço do Leitor

O hábito dos brasileiros de se automedicarem mostra-se ainda mais perigoso durante a pandemia da Covid-19. Diante de falsas informações sobre formas de prevenção ao novo coronavírus e do medo de se contaminarem ao saírem de casa, as pessoas passaram a comprar mais remédios sem orientação médica, o que implica em muitos riscos à saúde.

Mesmo antes da identificação de casos da Covid-19 no Brasil, a população já mantinha o costume de se automedicar. Uma pesquisa realizada em 2019 pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), em parceria com o Instituto Datafolha, revelou que 77% dos brasileiros usavam remédios por conta própria.

Dentre esse grupo, quase metade (47%) das pessoas realizava a automedicação, pelo menos, uma vez por mês, enquanto 25% recorriam aos remédios diariamente ou, no mínimo, uma vez por semana.

Os números que já eram preocupantes tornaram-se ainda mais alarmantes com a chegada da pandemia. Um segundo levantamento realizado pelo IQVIA Brasil, a pedido do CFF, revelou um alto crescimento da venda de medicamentos no primeiro trimestre de 2020, quando ocorreram os primeiros diagnósticos da Covid-19 no país, em comparação com o primeiro trimestre de 2019.

De acordo com o levantamento, medicamentos que foram associados equivocadamente à prevenção da Covid-19 tiveram um aumento significativo de demanda como, por exemplo, a vitamina C, que quase triplicou as vendas, registrando crescimento de 180%.

Na lista aparecem, ainda, o paracetamol (77,3%), a hidroxicloroquina (67,93%), a dipirona sódica (54,56%) e a vitamina D (35,56%).

Especialistas alertam sobre efeitos colaterais

As autoridades de saúde alertam que todas as medicações, quando não usadas de forma adequada, implicam em graves riscos à saúde. O CFF esclarece os efeitos colaterais dos medicamentos apresentados no levantamento feito pela IQVIA. A vitamina C, por exemplo, quando usada por um período maior do que o necessário, pode causar sintomas como dores de cabeça e abdominal, cólicas e diarreia.

Dependendo da dosagem, o paracetamol pode desencadear uma hepatite tóxica. Já o uso de hidroxicloroquina pode gerar efeitos colaterais graves, como problemas na visão, convulsões, insônia, diarreias, vômitos, alergias graves, arritmias e até parada cardíaca.

A dipirona também não deve ser usada sem orientação médica, pois há risco de choque anafilático e agranulocitose, condição em que há redução ou desaparecimento dos leucócitos polimorfonucleares. Por fim, a vitamina D também é capaz de causar problemas: se ingerida de forma excessiva, há chances de depósito do cálcio nos rins, o que pode provocar uma lesão permanente.

O diretor do Hospital Vila Nova Star, o médico Antonio Antonietto, relembra, também, os efeitos colaterais do corticoide. “Foi noticiado que havia muitas pessoas tomando corticoide em casa para se prevenir a Covid-19, mas isso representa um enorme risco de provocar a diabete no paciente, pois o medicamento pode alterar o metabolismo de forma a causar uma hiperglicemia.”

O uso de medicação incorreta pode trazer muitos danos à saúde, como sobrecarrega de um órgão, problemas de interação medicamentosa, reações alérgicas graves, intoxicação por superdosagem e até a morte. Por isso, Antônio Antonietto reforça “quem está em casa não deve tomar medicamentos sem prescrição.”

É recomendável buscar orientação médica ao perceber qualquer sintoma. No primeiro momento, procure um clínico geral para avaliação. Ele poderá solicitar exames para uma investigação mais detalhada e, quando necessário, o encaminhará para um especialista.

Para quem ainda sente receio com consultas presenciais, uma opção é a teleconsulta, realizadas por videochamadas através do computador ou celular.

De acordo com as autoridades de saúde, o mais importante é não mascarar sintomas com a automedicação, que é muito prejudicial à saúde. Em caso de qualquer sinal que algo não vai bem, procure o médico, que irá auxiliá-lo no tratamento adequado.

Por Suellen Martins

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