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Artigo: Estilo de vida e as doenças cardiovasculares

17 de Aug / 2021 às 23h00 | Espaço do Leitor

A Organização Mundial da Saúde (OMS)  estima que 80% das mortes por doenças cardiovasculares no mundo seriam evitadas apenas com mudanças no estilo de vida.

A obesidade e o excesso de peso causam mudanças importantes na estrutura e no tamanho do coração, além de comprometer seu funcionamento. A lógica é a seguinte: quanto maior é o sobrepeso, maior é o esforço do coração para conseguir bombear o sangue.

Acúmulo de células gordurosas aumenta o risco de entupimento das artérias, dificultando o desempenho adequado do coração. A obesidade é uma doença crônica e exige tratamento sério e contínuo. E como? A combinação de atividade física e dieta equilibrada é o melhor tratamento. Além de perder peso, com pequenas mudanças no estilo de vida, é possível reduzir em até 60% o risco de desenvolver doenças cardiovasculares importantes. Das seis doenças que mais levam à óbito no Brasil, quatro estão diretamente ligadas à obesidade: acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, diabetes e hipertensão. Quando associadas, elas são responsáveis por cerca de 72% dos casos de morte.

O tabagismo tem ação direta no sistema cardiovascular, aumentando o risco de obstrução das artérias, o que pode aumentar a pressão arterial e até levar ao infarto do miocárdio.

Já o álcool é uma substância cardiotóxica, que provoca alterações nas células do coração. Beber, mesmo uma pequena quantidade de álcool, pode aumentar o risco de uma pessoa ter fibrilação atrial, de acordo com uma nova pesquisa publicada no European Heart Journal. A recomendação é não consumir mais de 60 gramas de álcool por dia, sendo equivalente a duas doses de uísque, meia garrafa de vinho ou até três a quatro latas de cerveja.

O sedentarismo é fator de risco para doenças cardiovasculares e, por isso, as pessoas ativas vivem de 15 a 20 anos mais do que quem é sedentário. O exercício físico, ajuda a controlar a frequência cardíaca, fazendo o coração trabalhar menos e de forma mais eficiente. A OMS recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana (ou atividade física vigorosa equivalente) para todos os adultos, e uma média de 60 minutos de atividade física aeróbica moderada por dia para crianças e adolescentes.  Antes de iniciar uma rotina de exercícios, reforço a necessidade de uma avaliação cardiológica detalhada com exames complementares, como, eletrocardiograma, teste ergométrico, ecodopplercardiograma, e em algumas situações, cintilografia do miocárdio e tomografia do tórax com escore de cálcio coronariano. Para torná-lo um hábito, o exercício não pode ser um sacrifício, tem que ser prazeroso.

Quem tem diabetes mellitus, hipertensão arterial ou colesterol alto não pode deixar de tomar os medicamentos. As pessoas têm dificuldade de entender que precisam do remédio para o resto da vida.

Já os demais fatores estão associados a aspectos comportamentais. O estresse crônico, por exemplo, aumenta a quantidade de hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol na corrente sanguínea. Essas substâncias elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial, podendo lesar o coração.

Jamais esqueçamos, a prevenção é o melhor remédio!

Carlos Japhet da Matta Albuquerque-Especialista em Cardiologia.. Vice-presidente da SBC/PE

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