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Artigo; A Covid-19 é grande vencedora das eleições no Brasil

09 de Dec / 2020 às 23h00 | Coronavírus

As restrições sobre as aglomerações ocorridas durante a campanha eleitoral deste ano no Brasil foram tardias. A disputa em 2020 será conhecida pela “eleição da Covid” devido, principalmente, a ineficiência das instituições fiscalizadoras e a falta de consciência entre os candidatos espalhados pelo país.

Os atos ocorridos em quase um mês de campanha eram idênticos a qualquer disputa eleitoral em períodos normais. As restrições não eram sentidas e as caminhadas, carreatas, comícios, bandeiraços e reuniões eram espaços de pessoas sem máscara e sem distanciamento. Na prática, a Covid deixou de ser a pauta principal do pleito deste ano.

As ilegalidades não diferenciam bandeiras partidárias. Partidos de centro, de direita ou de esquerda. Qualquer um destes promoveu encontros presenciais no meio da maior pandemia do século XXI. Apertos de mãos e abraços fizeram parte do cotidiano político. Isso comprova que a gravidade do coronavirus não amedronta o comportamento da classe política

Já existem registros de aumento de casos de coronavírus nas últimas semanas. Em Pernambuco, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tem registrado um crescimento de atendimentos de contaminados pelo Covid-19. Além disso, a reabertura de leitos está sendo esperada pelos profissionais de saúde. A reabertura das atividades econômicas deu a sensação de normalidade e a campanha eleitoral é o seu maior reflexo.

A normalização da pandemia já ocorria quando mais de mil pessoas morriam por dia no País. A aceitação desse desastre humanitário normalizou a campanha eleitoral.

Não se viu nos discursos dos candidatos uma precaução com o coronavirus durante qualquer ato político. A disputa se sobressaiu a preocupação pelo outro. O que vale é vencer a eleição. A vigilância nunca foi recorrente. E as campanhas desprezaram o maior adversário humanitário. Com isso é possível afirmar em qualquer cenário: a eleição de 2020 teve a Covid como a principal vencedora.

Por Alex Ribeiro, doutorando em História Política pela Universidade Federal da Bahia, cientista político pela UFPE, e jornalista.

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