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Eleições, corpo a corpo, aglomerações, festas e a disseminação do coronavírus

04 de Dec / 2020 às 23h00 | Espaço do Leitor

A passagem do período de eleições traz um temor de que a situação da pandemia possa se agravar. Um maior contato entre as pessoas durante a campanha e aglomerações promovidas nas festas da vitória de candidatos são os principais fatores de preocupação.

Na avaliação de especialistas, a tendência é que, nos próximos dias, ocorra um aumento no número de casos da covid-19. Este aumento pode ter impacto sobre a rede hospitalar nas próximas semanas.

A prefeita eleita de Santo Antônio das Missões (RS), Izalda Boccacio (PP), morreu na noite de quinta-feira (3) em razão de complicações decorrentes do novo coronavírus (covid-19). Izalda, que tinha 72 anos, venceu o pleito 53,47% dos válidos. Ela foi diagnosticada com covid-19 logo depois do encerramento da campanha e estava internada no município gaúcho de São Borja, junto com o marido, Lauro Boccacio.

Em meio à volta de restrições em algumas partes do país para reduzir o contágio pelo novo coronavírus, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse essa semana que não se pode mais falar em afastamento social depois que a campanha para as eleições municipais foi realizada com aglomerações.

A declaração do ministro, entretanto, foi criticada por especialistas. Números também mostram alta nos diagnósticos. 

"Se esse vírus se propaga por aglomeração, por contato pessoal, por aerossóis — e nós tivemos a maior campanha democrática que podia ter no nosso país, que é a municipal, nos últimos dois meses —, se isso não trouxe nenhum tipo de incremento ou aumento em contaminação, não podemos falar mais em lockdown nem nada", disse Pazuello durante audiência na comissão do Congresso que acompanha medidas de enfrentamento à pandemia.

"É claro que há um pequeno aumento por isso. Desculpe, vou usar outro termo: é claro que há uma mudança de fluxo, de linha da nossa senoide. Coisas acontecem que sobem, coisas acontecem que caem. Isso é observação e conhecimento", disse.

O coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, José Medina, disse que as campanhas eleitorais para prefeito e vereador estimularam "contatos de corpo a corpo, aglomerações e festas", o que pode ter impulsionado a disseminação do coronavírus.

"O aumento do número de casos nas últimas semanas é evidente, conforme os dados apresentados exaustivamente, e de forma muito competente, pelo consórcio de veículos de imprensa. Houve aumento da média móvel de casos e de mortes", avaliou o epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul.

"O aumento, o repique, a segunda onda, o que for, é justamente devido ao que aconteceu nas eleições. Ele [Pazuello] tem um problema de percepção, de associar uma coisa com a outra. O que aconteceu obviamente foi que se fez um exagero por causa das eleições, nos estados e municípios, e agora estamos pagando por isso".

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotou uma série de medidas de precaução durante os dias de votação do primeiro e do segundo turno das eleições municipais, com o objetivo de garantir segurança na votação.

O uso de máscaras, tanto por eleitores quanto mesários, foi obrigatório. Houve disponibilização de álcool em gel nas seções e os eleitores foram orientados a levarem caneta própria. Também houve orientação em relação ao distanciamento nas filas e dentro das seções.

Durante a campanha, entretanto, alguns candidatos contraíram a Covid-19. Um deles foi o candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos. Já o prefeito eleito de Goiânia (GO), Maguito Vilela (MDB), está há mais de um mês internado devido a complicações da doença.

Pazuello também foi recentemente diagnosticado com Covid-19. Ele foi internado no dia 30 de outubro e teve alta no dia 1º de novembro.

Luiz Felipe Barbieri, Jornalista 

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