RedeGN - A arte de fingir que é dor a dor que deveras sentes ou quem votou contra Misael?

A arte de fingir que é dor a dor que deveras sentes ou quem votou contra Misael?

Política, dizem os entendidos, é a arte do impossível. Dizem também que tudo que acontece no mundo, aconteceu antes em Juazeiro. Verdade.

Ontem, a Câmara de Vereadores aprovou, por votação secreta, que havia sido banida da nova Lei Orgânica, as contas do prefeito Misael, exercício 2008, que vieram do Tribunal de Contas dos Municípios com parecer pela rejeição.

Esta Câmara, que o prefeito Isaac não perde oportunidade de desmoralizar, seja enxotando aliados, como fez com o PV; desrespeitando convocações, como faz rotineiramente com os pedidos de explicações dos secretários ou ainda distribuindo pratos e mais pratos de sapos para serem engolidos crus, como fez e faz com o Vereador Zó e o vereador Mitonho, não havia ainda dito a que veio.

Vereadores são animais políticos, que farejam desastres e queda de popularidade antes de todos. Entre morrer agarrados a uma administração que a cada dia toma mais velocidade ribanceira abaixo e salvar a própria pele, mesmo com o grande risco de sofrerem retaliações, resolveram arriscar: Votaram pela aprovação das contas não apenas para se mostrar independentes, mas e também para dar um recado ao prefeito: Olha do jeito que está nós caímos fora do barco.

Esta votação mais que uma derrota política é um recado ao prefeito. Recado que deve haver mudança, (com perdão do uso indevido da palavra);  na estrutura de governo, no relacionamento com os aliados, na disposição de fazer e principalmente, um recado claro que prefeito não governa sozinho e que dois terços dos vereadores podem sim pedir o impeachment do gestor municipal.

Foi, tipo assim: Olha, veja o que podemos fazer e faremos; se assim for do interesse de Juazeiro.

Antes da votação, que Zó deixou correr solta, sem utilizar o famoso trator da maioria, havia algumas certezas: A oposição foi convencida que esta era uma votação contra Isaac. Aí são cinco votos garantidos. Nem tanto, pois as diferenças entre Leonardo e Misael são familiares e pessoais. Então, concordemos: quatro votos garantidos. Faltariam para os nove, cinco.

Damião Medrado, do PMDB, em campanha para o filho de Misael; mais um voto favorável. Continuam faltando quatro. Professor Nilson, Jane e Suzana, sempre votam em grupo e todos tem ligações e devem algum reconhecimento a Misael. Mesmo assim continuaria faltando um voto.

Para completar o número mágico de nove votos Misael teria de buscar votos entre Bené Marques, Mozaniel, Zó e Mitonho.  Destes quatro dois votaram favoravelmente ontem.

Cinco vereadores da situação, entre eles Bené Marques, assinaram um requerimento solicitando que a votação fosse secreta. Bené está entre aqueles quatro do paragrafo anterior. Ponto. Completo os nove necessários.

Mas, não foram apenas nove os votos favoráveis a Misael.

Foram 11.

Sabemos que Leonardo se move por questões pessoais e seria um voto difícil. Que Mozaniel tem queixas pessoais, outro voto difícil.

Então dos quatro votos possíveis para completar o número onze (a votação  apurada),  dois; o de Zó e Mitonho, neste raciocínio hipotético,  foram favoráveis a Misael.

Zó votou favorável a Misael? Mitonho votou favorável a Misael?

Um grande poeta da língua portuguesa disse: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente; Que chega a fingir que é dor; A dor que deveras sente”.

Lembrem-se Mitonho é um poeta. Outro dia mesmo declamou uma poesia na tribuna. Zó não fica atrás. Declamou a poesia que fez quando do falecimento do pai. 

Manoel Leão

Jornalista