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UMA LUZ QUE SE APAGA

A emoção me impediu de elaborar o texto logo após a ocorrência do verdadeiro tsunami que se abateu sobre Uauá, durante esta semana. Nada poderia ser mais trágico. A estrutura emocional das pessoas desabou nesta última semana acompanhada de profunda dor, como se fosse um pesadelo. 

A vida reserva às pessoas modificações repentinas de trajetória, cujos fatos fogem ao controle natural das decisões próprias que se espera de cada uma. Nessas circunstâncias, vontades e planos são repentinamente alterados de forma aleatória, fazendo com que o curso da vida se defina em direção a se evitar a ocorrência das tragédias ou se projetar em sua direção. Quantas histórias são contadas de pessoas que perdem o embarque em viagens que logo depois resultam em acidentes fatais e outras que não estavam programadas e são levadas ao embarque em direção à morte! Há os que afirmam que está escrito no livro da vida, que o dia da partida já está lançado e não tenho como contrariar essa afirmação. 

Todo esse intróito para tentar escrever algo sobre o nosso querido amigo Pepé, falecido prematuramente na última semana. Dizer que era Vice-Prefeito de Uauá ou que era o seu potencial candidato a Prefeito nas próximas eleições, o cargo é o que menos importa nesta hora. Prefiro lembrar da imagem simples e alegre do homem Pepé, do jovem Pepé ou do sempre sorridente garoto Pepé. Na sua pouca idade de 43 anos, sabia exercitar como poucos as suas idéias e projetos com um invejável equilíbrio, colocando posições moderadas diante dos problemas político-administrativos que se apresentavam. Mesmo quando o diálogo era à distância, por telefone, demonstrava notável capacidade de estrategista, mudando o rumo de pensamentos mais apressados e impacientes. 

Nos tempos atuais de muita ira e agressividade, em que as famílias se digladiam movidas por interesses até mesmo escusos e as amizades são rompidas por fúteis banalidades, como poucos, sabia sorrir. Jamais cumprimentava as pessoas somente com um aperto de mão, sem fazê-lo acompanhar do abraço afetuoso e do sorriso aberto. Demonstrava capacidade de exteriorizar alegria e se expressar sem agressividade, ainda que estivesse convivendo com problemas, coisa que ninguém percebia.   

No momento fúnebre de visita ao corpo em sua residência, merece registro que mesmo os seus prováveis opositores no cenário político municipal lá estavam solidários na dor da família. Como ex-secretário da Prefeitura de Wenceslau Guimarães mobilizou até Uauá não somente a atual Prefeita Susete Nascimento Silva e seu esposo o ex-prefeito Leão, mas, também, secretários e funcionários daquele município, numa demonstração de extraordinária afeição ao nosso estimado Pepé. Ouvi do ex-prefeito Leão a seguinte frase sobre o seu ex-secretário: “Perdi um amigo-irmão”. 

Fiz uma leve tentativa de definir o verdadeiro perfil do nosso saudoso amigo Pepé, uma perda irreparável não pelo seu peso político, mas pelo conjunto de qualidades que marcavam a sua vida. Espero que o seu exemplo de alegria e camaradagem possa inspirar atitudes de equilíbrio e até mesmo mudanças de comportamento entre os que aqui ficam.    

Agenor Santos- Bacharel em Administração de Empresas  -  agenor_santos@ig.com.br