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Artigo: Um filme repetido com cenas mais dramáticas

O filme se repete, mas com cenas ainda mais dramáticas. É impossível olhar para março de 2021 sem se lembrar do que começava há ocorrer um ano. A pandemia avançava pelo Brasil, levando à suspensão de aulas presenciais, à interrupção de campeonatos esportivos e à limitação das atividades comerciais.

Agora, 12 meses depois, as medidas restritivas se intensificam, inclusive com um inédito toque de recolher no período pós-ditadura, só que com um agravante: o risco de colapso imediato nos sistemas de saúde.

Médicos e profissionais de saúde com quem tenho conversado garantem que a situação atual é inédita. O cenário é muito mais grave, com o complicador de que as equipes estão exaustas. Há temor de uma falta de insumos, e que a capacidade de atendimento se deteriore rapidamente. Sem contar que as pessoas internadas com covid-19 são cada vez mais jovens.

Na economia, as semelhanças existem, mas as dificuldades se mostram ainda maiores. O auxílio emergencial e o socorro às empresas estão de volta ao debate na Esplanada. A PEC Emergencial vai garantir mais quatro parcelas do benefício assistencial para a população que necessita, só que o custo de vida é ainda maior. O preço dos combustíveis está nas alturas, a inflação dos alimentos é uma realidade na mesa dos brasileiros e o desemprego avança. Abril, maio e junho, para ficarmos apenas no curto prazo, serão muito mais difíceis do que 12 meses atrás. Não é pessimismo. É uma leitura necessária da realidade.

Um elemento importante, no entanto, é a vacinação. Não existia em 2020 e, com isso, nos dá esperança de dias melhores. Mesmo que avançando a passos lentos, conforta saber que nossos idosos correm menos risco diante do vírus. O medo de morrer sem ar, num leito de UTI, é fundamentado e deveria servir de alerta a todos.

A nova variante é uma realidade, com risco maior de contágio. Então, cautela máxima. Denuncie quem desrespeita as leis, como festas clandestinas e bares que funcionam a portas fechadas. Faça só o essencial. Para o bem de todos.

Roberto Fonseca-Subeditor de Política // Correio Braziliense