RedeGN - Itacuruba, nas margens do Rio São Francisco é o menor eleitorado do Estado de Pernambuco e na mira para ter uma Usina Nuclear

Itacuruba, nas margens do Rio São Francisco é o menor eleitorado do Estado de Pernambuco e na mira para ter uma Usina Nuclear

Itacuruba, no Sertão do São Francisco, margens do Rio São Francisco aparece como o município de Pernambuco de menor eleitorado, com 4.237 eleitores. Itacuruba é o município em estudo pelo Governo Federal, através do Ministério das Minas e Energia, para ter instalado uma Usina Nuclear.

O assunto já foi tema de audiência pública. Itacuruba Localiza-se às margens do reservatório de Itaparica, com capacidade de 10,7 trilhões de litros próximo a montante da foz do Rio São Francisco. Itacuruba abriga os que foram deslocados da Itacuruba alagada pelas águas da Barragem de Itaparica.

Em dezembro do ano passado a comunidade científica esteve reunida em Recife fez as suas considerações sobre a hipótese de construção de uma usina nuclear em Itacuruba. Na epoca foi destacado que Não se tem oficialmente uma decisão, apenas a intenção do Governo Federal em investir US$ 30 bilhões em seis plantas, sendo Itacuruba uma delas.

Para o conselheiro da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares, Carlos Henrique Mariz, as consequências da instalação de uma usina são amplamente favoráveis. “Estudos criteriosos selecionaram Itacuruba como local provável para a instalação de uma usina nuclear e nós somos a favor disso. O risco de acidente nuclear é mínimo. Estamos na terceira geração dessas usinas, não existe a ameaça eminente de poluição ou de evacuação da população”, comentou.

O professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Heitor Scalambrini enumerou as razões que o fazem ser contrário à hipótese. “Somos contra por vários fatores. É uma energia cara e isso vai incidir na conta do consumidor; todo o processo de construção do combustível nuclear tem emissão de gases do efeito estufa; a sociedade não está sendo consultada neste processo; e como vamos deixar para as gerações futuras o lixo atômico sem saber como armazená-lo de forma definitiva?”, declarou.

Na ótica do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, o desenvolvimento econômico e social que pode ser gerado para a região precisa ser levado em consideração. "Possivelmente, os profissionais que irão trabalhar na usina nem brasileiros serão. Mas a população de Itacaruba vai ter oportunidades que nunca antes tiveram. Desprezar o investimento de 20 bilhões de reais no Sertão de Pernambuco é um erro histórico", disse.

A professora de sociologia da Universidade de Pernambuco, Vânia Fialho, destacou o impacto negativo que a usina pode trazer ao povo de Itacuruba.

"Esse projeto tem como vetor o vazio demográfico da região. As pesquisas de viabilidade estão sendo conduzidas por empresas privadas, que têm seus próprios interesses e deixam de lado as políticas públicas. Além disso, tem que se levar em consideração a estrutura da cidade e condição de vida da população diante deste empreendimento. E todos os segmentos da sociedade precisam ser ouvidos. Em Paulo Afonso, Bahia, por exemplo, os povos tradicionais vêm sendo impactados desde a implantação da usina da Chesf. Os danos foram graves", salientou.

Redação redeGN