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Espaço do Leitor: De quem são os votos?

Caros, boa noite. Gostaria de compartilhar com vocês essa minha perspectiva de assunto que dominou a semana. Agradeço imensamente a publicação. 

De quem são os votos?

 

Mesmo em pleno século XXI, tratamos a política como no século passado. O olhar coronelista sobre o processo é traço de mentes tacanhas.

Um risco desse pensamento é carimbar com ferro quente quem é 'dono de voto' e de qual 'curral' eles vieram. Trazemos a baila esse debate, após ebulir em grupos de WhatsApp e em intervenções de programas radiofônicos da região a votação do delegado Charles Leão nas eleições de 2016, creditando a sua vice, Suzana Ramos, a quantidade de votos..

Não. Não é uma defesa de Charles, que fique claro: não tenho procuração, nem interesse. É só uma inquietação de alguém que estuda processos políticos e sociais. Penso em trazer uma luz à reflexão.

Quem, em sã consciência, estaria bem colocado, em todas as variantes eleitorais, e toparia não encabeçar uma chapa?  - Ah... para continuar esclarecendo... Aqui, de forma nenhuma, é um debate depreciativo à figura dela, uma mulher com história e serviços prestados, tampouco a todas mulheres, que merecem maiores espaços políticos.

Para evitar falácias, vou utilizar os mesmos argumentos dos tacanhos: o ferro demarcador de votos. A então vereadora tem/tinha sua base, para não usar o termo pejorativo de curral, no distrito de Juremal, interior do município, onde sempre, em suas eleições, saiu com grandes números de sufrágios.

O esperado era, então, que sua chapa fosse a vitoriosa nas urnas daquele local. De fato, foi, mas com uma diferença pífia para a tal liderança e influência que dizia ter. De acordo com dados da justiça eleitoral, 48 votos distanciaram a chapa Leão-Suzana da chapa Bomfim-Dulce.

Suzana não é mais 'a dona dos votos?'

Outro ponto que podemos comparar: a manutenção do seu mandato na figura de seu sobrinho, Allan Jones.

Suzana sempre configurou no topo da lista dos eleitos. Em 2012 foi a mais votada ultrapassando os 3 mil votos – antes tinha sido eleita e reeleita com votações estratosféricas para os pleitos disputados. Mas seu pupilo não conseguiu ultrapassar os 1.800, ficando na 11º colocação. O recall de sua tia teria caido, no mínimo, 10 posições. Cadê a influência dela?

Então, meus amigos, escrevo só para alertar que em tempo democráticos, somos donos de um único voto: o nosso.

Por: Roberto Matos

Bacharel em Ciências Sociais.