Ainda estou aqui ganhou o Oscar 2025 na categoria melhor filme internacional.
Trata-se da primeira produção brasileira a ser contemplada com a estatueta em Hollywood, fato que causou uma empolgação nacional em pleno domingo de carnaval, levando a multidão à loucura, tanto nos carnavais de ruas, a exemplo de Salvador e Recife, quanto nos desfiles da Sapucaí no Rio de Janeiro. Mas, não foi só nesses lugares mencionados, pois, a alegria foi geral em todo país.
O prêmio é significativo e de grande simbologia, principalmente por nos faltar momentos de comemoração em eventos internacionais de relevância, desde o adeus a Airton Sena na fórmula um e os sucessivos fracassos da seleção brasileira no futebol.
Ainda estou aqui também faz uma denúncia histórica dos tempos de chumbo vividos pelo país com a instauração do regime ditatorial em 1964, que torturou, exilou e até assasinou pessoas por apenas discordar politicamente do regime da época. Em essência o filme tem o seu enredo extraído do livro Ainda estou aqui de Marcelo Paiva, filho do ex Deputado Federal Rubens Paiva preso, torturado e assassinado nas dependências do regime militar e que depois teve seu corpo desaparecido em janeiro de 1971.
O filme não é politico, é histórico baseado num fato real vivido pela viuva Eunice Paiva e seus filhos, que desde a morte do seu esposo Rubens Paiva, lutaram por justica e pela verdade sobre a morte do marido e pai.
Para se ter ideia, Eunice Paiva só conseguiu o atestado de óbito de Rubens Paiva em 1996, vinte cinco anos após a morte.
Em 2024 o Conselho Nacional de Justiça fez a ratificação e reconhecimento dos atestados de óbito das pessoas mortas e desaparecidas durante o Regime Militar. Em atendimento a esta determinação, o Cartório da Sé na cidade de São Paulo, no ano de 2024 fez constar no atestado de óbito de Rubens Paiva a causa da morte como sendo não natural, violenta, causada pelo Estado Brasileiro, no contexto da perseguição aos dissidentes do Regime Militar instaurado em 1964.
Ainda estou aqui revela tais acontecimentos através da arte de Fernanda Torres e seus colegas de elenco e pela sagacidade e sensibilidade do Diretor Walter Sales, engrandecendo o cinema brasileiro, que nos faz lembrar O pagador de Promessa, Central do Brasil, Cidade de Deus, que mesmo não ganhando o oscar represenraram bem o Brasil, assim como José Wilker, Sônia Braga, Wagner Moura e Rodrigo Santouro, entre tantos que brilharam e ainda brilham nas telas dos cinemas. Viva o povo brasileiro com um prêmio em que a dor é representada pela arte cinematrográfica.
Tony Martins - Radialista e Pedagogo.
1 comentário
05 de Mar / 2025 às 23h13
Show !!! Professor Tony Martins. Agora é hora de fomentar a importância do filme. Para o desenvolvimento e consolidação da democracia no mundo.